O major Bellegarde viveu por apenas 36 anos, mas por conta de seus estudos e pela autoria de projetos principalmente de pontes e canais em nossà região, marcou seu nome na História de Campos dos Goytacazes.

O militar nasceu em Lisboa em 12 de outubro de 1802. Era filho de Candido Norberto Jorge Bellegarde e Maria Antônia Conrado de Niemeyer Bellegarde. O casal chegou ao Brasil a bordo da nau “Príncipe Regente” com a corte portuguesa em 1808. Henrique foi o único dos três filhos a nascer em terras lusitanas. Seus irmãos eram, Pedro de Alcântara Bellegarde (nascido durante a viagem e afilhado D. Pedro I) e Christianno de Niemeyer Bellegarde. No ano de 1817 foi para à Academia Real Militar no Rio de Janeiro. Já no quarto ano na referida instituição chega a patente de primeiro tenente. No ano seguinte (1821) foi nomeado capitão ajudante do governador de Moçambique. Ao fim de seu período nà Academia Real Militar foi para à Europa. Lá graduou-se como bacharel em Letras pela Universidade de Paris e como engenheiro geógrafo.

Retornou ao Brasil e em 1828 foi promovido a patente de major. Foi agraciado com o título de Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa. Integrou a comissão incumbida de fazer a carta topográfica da província do Rio de Janeiro. Foi nomeado engenheiro oficial do Império. Alguns projetos de sua a autoria são o do farol de Cabo Frio; os dos canais de Ururaí, Cacimbas e Maricá; os das pontes de Campos e Itajuru, entre outros. Foi, também, da carta hidrográfica da ilha de Santa Catarina e seu canal.

Um outro projeto em que Niemeyer Bellegarde esteve envolvido foi o da Casa de Caridade Santa Isabel da Cidade de Cabo Frio. Ele chegou a ser escolhido juiz da irmandade provedora da instituição, a Irmandade de Santa Isabel da caridade de Cabo Frio. Logo em seguida, porém, Niemeyer Bellegarde morreu em 21 de janeiro de 1839.

Os textos mais conhecidos de Niemeyer Bellegarde são a tradução do “Resumo da História do Brasil”, da autoria de Ferdinand Denis, e o “Relatório da Quarta Seção de Obras Públicas da província do Rio de Janeiro”, feito em 1837, em que o major faz uma brilhante análise técnica e descritiva sobre rios, lagoas e construções da Região dos Lagos e do Norte Fluminense acompanhada de sugestões de projetos de engenharia, em especial em relação a construção de canais e portos nas citadas regiões.