Dedicou-se ao estudo e ao ensino da literatura portuguesa e brasileira, e à valorização da qualidade humana. Homem sereno, equilibrado, modelo de bom senso, segundo seu amigo Carlos Ribeiro. Sua dedicação à Fundação Casa de Rui Barbosa tornou-se fundamental para o crescimento da instituição.
Nasceu em dezembro de 1904, em Campos dos Goytacazes, filho de Antônio Moreira da Silva, de Leixões, Portugal e Teresa Martins Moreira.
Não frequentou nenhum estabelecimento de ensino primário ou secundário.
Mas teve como professores particulares com Viveiros de Vasconcelos, Paulo Barroso, Moll, Aldo Muylaert, prestando depois “exames vagos” no Liceu de Humanidades de Campos. (Momento cultural, n. 2, jun./jul., 1970)
Em 1927 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil. O ano de 1932 marcaria à vida do escritor. Após o casamento, a carreira do professor Thiers Martins Moreira levantou um vôo vertiginoso. Fundou a revista “Educação e Administração”, que dirigiu até 1941. Publicou seu primeiro livro “Camões e Fernão Lopes — conferências”. Tornou-se professor de Literatura Portuguesa, na Faculdade de Filosofia da Universidade do Rio de Janeiro, apresentando como tese: “A Arte Maior na Poesia Dramática de Gil Vicente”.
Uma série de viagens projetou sua ação profissional no exterior. Em 1950 participou da Reunião do Instituto Internacional de Teatro — Unesco. Em 1951 — Participou da Reunião da Comissão de Direitos Autorais, em Washington, e da Reunião do 1.º Conselho de Cultura da OEA no México. Em1951/52 foi Assessor do Departamento da OEA e Professor de Estudos Brasileiros na Universidade de Lisboa, criando o Instituto de Cultura Brasileira. Em 1955 — Ministrou cursos nas universidades de Coimbra e Lisboa, a convite do Instituto de Alta Cultura de Portugal. Em 1960 — Participou do Congresso dos Descobrimentos em Lisboa.
Nesse momento recebeu três condecorações em Portugal: Cavaleiro da Ordem de Cristo, comendador da Ordem do Infante Dom Henrique e Comendador da Ordem de Instrução Pública.
Abriu as portas do Centro de Pesquisas da Fundação Casa Rui Barbosa à literatura popular, pois sentindo o possível desaparecimento deste tipo de literatura e as dificuldades dos seus autores. Foi a expressão mais clássica do memorialismo lírico brasileiro, com os livros: O Menino e o Palacete (1954) e Os Seres (1963), nos quais o homem adulto mergulha no seu mundo interior e escuta o Menino (filho de imigrante) que um dia morou, no início do século XX, num velho casarão campista, impregnando-se da presença de um barão fantasmagórico e da atmosfera residencial já inexistente.
Dando voz ao silêncio do Menino, Thiers abriu uma nova dimensão para perceber o encantamento poético existente nas casas centenárias. O Menino caminha dentro do espaço interno e do espaço externo da casa. Identifica o mundo ao redor, conhece as pessoas que vivem dentro e fora do Palacete para destilar a poesia apreendida.
Thiers faleceu em 19 de maio de 1970 deixando suas obras: Camões e Fernão Lopes (1944), A arte maior na poesia dramática de Gil Vicente (1945), Os Seres (1963), Quincas Borba ou o pessimismo irônico (1964), O Menino e o Palacete (1968), Visão de Vários tempos (1970).

