Nascido a 21 de maio de 1788 em Quissamã faleceu no Rio de Janeiro em 3 de maio de 1864 aos 75 anos.

Era filho do capitão Manuel Carneiro da Silva e da fidalga Ana Francisca de Vellasco Tavora de Barcellos Coutinho. Seu avô e seu pai foram capitães da aldeia dos índios em Quissamã e possuíram uma sesmaria, onde seu pai ergueu, entre 1777 e 1782, a casa da fazenda Mato de Pipa. Próximo da casa da fazenda Mato de Pipa, iniciou-se o desenvolvimento urbano da área que se tornou o centro do atual município de Quissamã. O seu pai plantava algodão e anil que era vendido nà cidade do Rio de Janeiro (cidade), e fundou o primeiro engenho de açúcar nà região de Quissamã, nas terras perto da atual fazenda Machadinha.

Foi primeiro barão e visconde com grandeza de Araruama. Casou-se com a senhora Francisca Antônia Ribeiro de Castro, filha do capitão-mor Manuel Antônio Ribeiro de Castro, primeiro barão de Santa Rita, com quem teve nove filhos.

Foi deputado provincial pelo partido conservador em 1844. Serviu no regimento de milícias de Campos dos Goytacazes de 1811 a 1821, alcançando o posto de tenente-coronel. Em 1852, foi nomeado comandante supremo da Guarda Nacional nos municípios de Macaé e Capivari (hoje Silva Jardim) e a seguir reformado.

Em 1837, conseguiu a aprovação pelo governo provincial de sua proposta de construção de um canal que permitisse o transporte de açúcar de Campos dos Goytacazes até o porto de Imbetiba em Macaé. Assumiu a empreitada das obras que se iniciaram oficialmente em 1º de outubro de 1844, durando até 1861. O canal Campos-Macaé com extensão de 106 km — o segundo mais longo canal artificial do mundo — ainda existe parcialmente nos dias de hoje.

Em 1844, foi eleito para o cargo de deputado na Assembleia Legislativa Provincial do Rio de Janeiro, como membro do Partido Conservador.

Em 1841, tornou-se Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial. Em 5 de maio de 1844, um decreto imperial concedeu-lhe o título de barão de Araruama, o primeiro do nome. Também recebeu a comenda de Grande do Império e a imperial Ordem da Rosa.

Foi provedor da Santa Casa de Misericórdia de Campos dos Goytacazes e, junto com seu genro, João de Almeida Pereira Filho, ajudou o reerguimento da igreja matriz de São Salvador de Campos dos Goytacazes.

Foi um intelectual autodidata que realizou observações científicas e publicou ensaios filosóficos. Apesar de ter recebido apenas a educação fundamental, o que era comum à época, ficou conhecido entre os intelectuais do Rio de Janeiro como um homem culto, bom literato que lia em francês e latim, e que possuía conhecimentos profundos de filosofia, história e geografia. Foi membro correspondente do Instituto Histórico de Paris, membro fundador do Instituto Fluminense de Agricultura e sócio fundador da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.

Os periódicos Jornal da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e Aurora Fluminense publicaram artigos de sua autoria sobre agricultura e política. Também publicou A Memória Topográfica e Histórica sobre os Campos dos Goytacazes com uma Notícia Breve de suas Produções e Comércio (1819), A Memória sobre a Abertura de um Novo Canal para Facilitar a Comunicação entre a Cidade de Campos, e a Vila de São João de Macaé (1836), A Memória sobre Comércio dos Escravos, em que se Pretende Mostrar que este Tráfico é, para eles, antes um Bem do que um Mal (1838).